quarta-feira, 29 de agosto de 2012

O alcoolismo.

O alcoolismo.:

Autor: Victor Hugo (espírito)

Sem nos determos no exame dos fatores
sócio-psicológicos causais do alcoolismo generalizado, de duas ordens são as
engrenagens que o desencadeiam, – observado o problema do ponto de vista
espiritual.
Antigos viciados e dependentes do álcool, em
desencarnando não se liberam do hábito, antes sofrendo-lhe mais rude imposição.
Prosseguindo a vida, embora a ausência do corpo, os
vícios continuam vigorosos, jungindo os que a eles se aferraram a uma
necessidade enlouquecedora. Atônitos e sedentos, alcoólatras desencarnados se
vinculam às mentes irresponsáveis, de que se utilizam para dar larga à
continuação do falso prazer, empurrando-os, a pouco e pouco, do aperitivo tido
como inocente ao lamentável estado de embriaguez.
Os que lhes caem nas malhas, tornam-se, por isso
mesmo, verdadeiros recipientes por meio dos quais absorvem os vapores
deletérios, caindo, também, em total desequilíbrio, até quando a morte advém à
vítima, ou as Soberanas Leis os recambiam à matéria, que padecerá das dolorosas
injunções constritoras que lhe impõe o corpo perispiritual…
Normalmente, quando reencarnados, os antigos
viciados recomeçam a atividade mórbida, servindo, a seu turno, de instrumento
do gozo infeliz, para os que se demoram na Erraticidade inferior…
Outras vezes, os adversários espirituais, na
execução de uma programática de desforço pelo ódio, induzem os seus antigos
desafetos à iniciação alcoólica, mediante pequenas doses, com as quais no
transcurso do tempo os conduzem à obsessão, desorganizando-lhes a aparelhagem
físio-psíquica e dominando-os totalmente.
No estado de alcoolismo faz-se muito difícil a
recomposição do paciente, dele exigindo um esforço muito grande para a
recuperação da sanidade.
Não se afastando a causa espiritual, torna-se menos
provável a libertação, desde que, cessados os efeitos de quaisquer terapêuticas
acadêmicas, a influência psíquica se manifesta, insidiosa, repetindo-se a
lamentável façanha destruidora…
A obsessão, através do alcoolismo, é mais
generalizada do que parece.
Num contexto social permissivo, o vício da ingestão
de alcoólicos torna-se expressão de status, atestando a decadência de um
período histórico que passa lento e doído.
Pelos idos de 1851, porque enxameassem os problemas
derivados da alcoolofilia, Magno Huss realizou, por vez primeira, um estudo
acurado da questão, promovendo um levantamento dos danos causados no indivíduo
e alertando as autoridades para as conseqüências que produz na sociedade.
Os que tombam na urdidura alcoólica, justificam-lhe
o estranho prazer, que de início lhes aguça a inteligência, faculta-lhes
sensações agradáveis, liberando-os dos traumas e receios, sem se darem conta de
que tal estado é fruto das excitações produzidas no aparelho circulatório,
respiratório com elevação da temperatura para, logo mais produzir o nublar da
lucidez, a alucinação, o desaparecimento do equilíbrio normal dos movimentos…
Inevitavelmente, o viciado sofre uma congestão
cerebral intensa ou experimenta os dolorosos estados convulsivos, que se tornam
perfeitos delírios epilépticos, dando margem a distúrbios outros: digestivos,
circulatórios, nervosos que podem produzir lesões irreversíveis, graves.
A dependência e continuidade do vício conduz ao
delirium tremens, resultante da cronicidade do alcoolismo, gerando psicoses,
alucinações várias que culminam no suicídio, no homicídio, na loucura
irrecuperável.
Mesmo em tal caso, a constrição obsessiva segue o
seu curso lamentável, já que, não obstante destrambelhadas as aparelhagens do
corpo, o espírito encarnado continua a ser dominado pelos seus algozes
impenitentes em justas de difícil narração…
Além dos danos sociais que o alcoolismo produz, engendrando a perturbação da ordem, a queda da natalidade, a incidência de crimes vários, a decadência econômica e moral, é enfermidade espiritual que o vero Cristianismo erradicará da Terra, quando a moral evangélica legítima substituir a débil moral social, conveniente e torpe.
Ao Espiritismo cumpre o dever de realizar a psicoterapia valiosa junto a tais enfermos e, principalmente, a medida preventiva pelos ensinos corretos de como viver-se em atitude consentânea com as diretrizes da Vida Maior.

Livro: Calvário de Libertação. Psicografia de Divaldo Franco


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