quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Origem da Doutrina Espírita.

Origem da Doutrina Espírita.:


Grupo
Espírita Bezerra de Menezes

"E eu
rogarei ao Pai e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para
sempre; o Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê
nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco e estará em vós.
‘‘Mas, aquele
Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará
todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito" -
(João, cap. 15 - 15 a 26).

3.0 - A GÊNESE
DA DOUTRINA ESPÍRITA
A Doutrina
Espírita, ou Espiritismo, apareceu no cenário terreno no século XIX, por volta
do ano de 1850. Suas raízes encontram-se nos princípios do Cristianismo,
doutrina implantada por Jesus e seus seguidores, há quase dois mil anos. A
Doutrina Espírita é o cumprimento da promessa do Senhor, na qual afirmou que
enviaria ao mundo, no devido tempo, um Consolador, O Espírito de Verdade, que
relembraria seus ensinamentos e faria novas revelações a respeito dos mistérios
da vida.
Em um de seus
muitos discursos, Jesus disse que não poderia dizer todas as coisas, pois os
homens ainda não tinham condições de entendimento para compreendê-las. No tempo
certo, enviou o Espiritismo, que retirou o véu dos "mistérios" de
Seus ensinamentos e ampliou sobremaneira o campo do conhecimento humano,
despertando o Ser para um novo mundo.
Nos séculos XVI
e XVII, depois que a Reforma Protestante havia libertado a humanidade dos
domínios da Igreja, formou-se um clima muito propício à fermentação de ideais
renovadores. Foi neste período que iniciaram-se as primeiras manifestações de
Espíritos, chamando a atenção do homem de então e preparando o terreno para o
advento do Consolador. No século XIX, nascia o Espiritismo, considerada a
terceira revelação. Com ele vieram as novas lições acerca do sentido da vida,
da dor, da justiça e sobre o destino dos homens depois da morte.
Allan Kardec
afirmou que: "Partindo o Espiritismo das próprias palavras do Cristo,
assim como o Cristo partiu de Moisés, é um seqüência direta de sua
doutrina"
- (Revista Espírita, Setembro, 1867).

3.1 - ASPECTOS
HISTÓRICOS
a) Emmanuel
Swedenborg
Embora
oficialmente os espíritas tomem o ano de 1848, com o fenômeno de Hydesville,
como o marco do aparecimento do Espiritismo no mundo, precisamos saber que,
antes disso, existiram algumas pessoas que, pela sua capacidade de produzir
fenômenos ligados às coisas espirituais, devem ser citadas como de importância
para o surgimento desta Doutrina entre os homens. A história do extraordinário
vidente sueco Emmanuel Swedenborg merece atenção e estudo de nossa parte.
Swedenborg,
educado entre a nobreza sueca, era católico e profundo estudioso da Bíblia. Era
grande autoridade em Física e Astronomia, autor de importantes trabalhos sobre
as marés e determinação das latitudes. Zoologista, anatomista, financista e
político, era ainda engenheiro de minas, com grande conhecimento em metalurgia.
O desabrochar de
seu potencial mediúnico deu-se em abril de 1744, em Londres, onde desenvolveu
seu trabalho por vinte e sete anos e esteve em constante contato com "o
outro mundo". Deixou em suas obras, relatos extraordinários de suas
experiências com o mundo espiritual. Diz ele sobre sua primeira visão: "Na
mesma noite, o mundo dos Espíritos, do céu e do inferno, abriu-se
convincentemente para mim, e aí encontrei muitas pessoas de meu conhecimento e
de todas as condições. Desde então, diariamente o Senhor abria os olhos de meu
Espírito para ver, perfeitamente desperto, o que se passava no outro mundo e
para conversar, em plena consciência, com anjos e Espíritos".
Afirmava
Swedenborg que uma densa nuvem havia se formado em redor da Terra, devido ao
psiquismo grosseiro da humanidade, numa clara antecipação aos ensinos sobre a
atmosfera fluídica que a Doutrina Espírita nos trouxe. Dizia também que, de
tempos em tempos, haveria uma limpeza, assim como a trovoada aclara a atmosfera
material.
Deixou ensinos
importantes nas seguintes obras: "O Céu e Inferno", "A Nova
Jerusalém" e "Arcana Celestia".
b) Andrew
Jackson Davis
Nascido em 1826,
em New York, era um jovem sem cultura, nascido em meio pobre, mãe com
tendências visionárias aliadas à superstição e o pai trabalhava com couros. Nos
últimos anos de infância, começaram a se desenvolver os poderes psíquicos de
Davis.
Com o auxílio de
um magnetizador, Davis fazia verdadeiras "viagens" pelo mundo dos
Espíritos, trazendo informações as mais surpreendentes. Tinha extraordinária
clarividência que, a princípio, foi usado como divertimento e mais tarde o seu
magnetizador utilizou para diagnóstico de doenças.
Aos 19 anos de
idade, Davis manifestou o desejo de escrever um livro e o fazia através de transes
mediúnicos, submetidos por um magnetizador. Um secretário anotava fielmente as
palavras que jorravam da boca do médium, como se fora o mais douto em
conhecimento e sabedoria, porém tratava-se de um jovem ignorante e sem cultura.
Esse foi o começo do trabalho mediúnico desse jovem, que continuou por muitos
livros, todos reunidos com o nome de "Filosofia Harmônica". Nessa
fase, ele dizia estar sob a influência direta de uma entidade, que
posteriormente identificou como sendo Swedenborg. O desenvolvimento de sua
faculdade continuou e aos vinte e um anos já não necessitava mais de quem o
induzisse ao transe.
Começou aí nova
fase, onde passou a ter as mais impressionantes experiências de clarividência.
Descreveu com clareza o fenômeno da morte, visto por ele à beira do leito de
uma senhora agonizante. Teve muitas visões do mundo espiritual, fez muitas
previsões como o aparecimento do automóvel , da máquina de escrever e do
próprio Espiritismo.
Davis
representou um importante papel no começo da revelação espírita, preparando o
terreno antes que se iniciasse o trabalho dos Espíritos superiores. Quando
explodiu o acontecimento de Hydesville, ele já o conhecia desde o início,
através de revelações mediúnicas. Morreu em 1910, aos oitenta e quatro anos de
idade.
c) Fenômeno de
Hydesville
No ano de 1848,
na América do Norte, surgiram alguns acontecimentos inusitados que assombraram
o mundo. Na casa de uma família americana chamada Fox, que morava num vilarejo
de nome Hydesville, no Estado de New York, começaram a manifestar-se forças
sobrenaturais que pareciam vir do invisível. Aconteciam estranhos ruídos nas
paredes, com indícios de serem provenientes de uma inteligência oculta
desejando se comunicar.
Tudo indicava
que as irmãs Kate e Margaret Fox, duas meninas de 11 e 14 anos, eram o centro
do fenômeno paranormal, que acabou transformando a casa em ponto de atração
para curiosos.
As pessoas se
divertiam vendo as jovens ordenarem a uma suposta inteligência invisível, que
fizesse barulhos e produzisse pancadas nas tábuas da parede.
Através dos
ruídos na madeira, convencionou-se um código pelo qual algumas pessoas
comunicavam-se regularmente com o Além. Uma pancada significava
"sim"; duas, significavam "não", enquanto outros sinais
simbolizavam letras ou palavras.
A inteligência
invisível, que produzia os fenômenos de Hydesville, dizia ser um Espírito que
tinha animado um personagem que vivera na Terra em outros tempos. O Espírito
foi apelidado pelas meninas de "sr. Perneta". Suas comunicações
revelaram que ele animara o corpo de um homem que havia sido morto a facadas
naquela casa, tempos atrás. Seus restos mortais foram enterrados no porão da
residência. Algumas pessoas escavaram o local e encontraram cabelos e ossos
humanos.
Pesquisas feitas
mais tarde, revelaram que o sr. Perneta era um homem chamado Charles Rosma, que
fora morto na casa cinco anos antes.
O fenômeno
atraiu a atenção do mundo e por muito tempo as irmãs Fox fizeram demonstrações
de sua capacidade de comunicar-se com os "mortos", apresentando-se em
salões, submetendo-se à cobiça de empresários e sendo alvo de muitas polêmicas.
Por desconhecerem completamente os mecanismos do maravilhoso dom da
mediunidade, envolveram-se com influências perniciosas que a levaram a ter um
fim triste e obscuro.
d) Daniel Dunglas
Home
Quase
concomitante às irmãs Fox, um outro fenômeno mediúnico despertou a atenção das
massas. Tratava-se dos feitos do médium Daniel Dunglas Home, que ficou
conhecido mundialmente pelos fenômenos paranormais que provocava à sua volta.
Forças invisíveis se manifestavam, chegando em algumas ocasiões a levantá-lo do
chão. Home chamou a atenção de sábios e estudiosos em todo o mundo.
Home nasceu em
uma pequena aldeia na Escócia e viveu de 1833 a 1886. Desde cedo demonstrou sua
prodigiosa faculdade e jamais envolveu-se com dinheiro em suas fantásticas
demonstrações de vidência, efeitos físicos, levitação, desdobramento etc.
Embora contemporâneo do Codificador do Espiritismo, eles nunca se conheceram.
Entretanto Allan Kardec faz comentários sobre ele em sua obra, analisando os
fenômenos, que para ele, eram autênticas provas da existência de imortalidade
da alma.
Daniel Dunglas
Home foi considerado o mais surpreendente médium de todos os tempos. Embora não
fosse espírita, atribuía a responsabilidade dos fenômenos aos Espíritos, o que
contribuiu para popularização do Espiritismo nos nobres salões da América e da
Europa.
e) As Mesas
Girantes
Em 1850, na
França, surgiu um tipo de brincadeira chamada "mesa falante" ou
"mesa girante", que tomou conta dos salões festivos da época. A mesa
girante era uma mesinha redonda, de três pés, em torno da qual se ajuntavam as
pessoas para provocar manifestações de forças sobrenaturais.
As mãos dos
presentes eram colocadas sobre a superfície da mesa que, através de um fenômeno
de efeitos físicos, dava saltos sobre seus pés, girando e dando pancadas.
Por meio de um
código alfabético semelhante ao usado pelas irmãs Fox, na cidade de Hydesville,
era possível conversar com o "invisível". A sociedade francesa
divertia-se em perguntar amenidades à mesa. Houve uma espécie de febre em torno
dessa brincadeira.
Uma senhora,
chamada Emília de Girardim, desenvolveu uma sofisticada mesa que girava livre e
facilmente em torno de um eixo à maneira de roleta. Na superfície e em
circunferência eram colocadas as letras do alfabeto, os números e as palavras sim e não.
No centro, um ponteiro metálico ou agulha fixa. O médium punha os dedos na
borda da mesa que girava e parava sob a agulha, na letra desejada pelas forças
invisíveis para fazerem seus ditados. Com isso, tornou-se possível conseguir,
regularmente, mensagens vindas do Além. As mesas girantes eram a grande
sensação dos salões da Europa e América. Por meio delas as pessoas passaram a
ter contato com o mundo invisível, realizando sessões de comunicação
espiritual, onde reinava a frivolidade e a brincadeira.
c) Tiptologia
Os fenômenos de
ruídos provocados por Espíritos em paredes, mesas ou outros objetos, e que
serviram de meios de comunicação com o invisível, foram mais tarde
classificados pelo nome de Tiptologia. Foi desta forma que iniciaram as
primeiras comunicações, que depois foram aperfeiçoadas, passando por várias
fases.
3.2 - ALLAN
KARDEC
Allan Kardec foi
um professor francês que se interessou pelo estudo das manifestações
espirituais e foi atraído pela novidade das mesas girantes. Em 1854, ele ouviu
falar pela primeira vez do fenômeno, através de um amigo seu chamado Fortier.
No ano seguinte, se interessou mais pelo assunto, pois soube tratar-se de
intervenção dos Espíritos, informação dada pelo sr. Carlotti, seu amigo há 25
anos. Depois de algum tempo, em maio de 1855, ele foi convidado para participar
de uma dessas reuniões, pelo Sr. Pâtier, um homem muito sério e instruído. O
professor era um grande estudioso do magnetismo e aceitou participar, pensando
tratar-se de fenômenos ligados ao assunto. Após algumas sessões, começou a
questionar para descobrir uma resposta lógica que pudesse explicar o fato de
objetos inertes emitirem mensagens inteligentes. Admirava-se com as
manifestações, pois parecia-lhe que por detrás delas havia uma causa
inteligente responsável pelos movimentos. Resolveu investigar, pois desconfiou
que atrás daqueles fenômenos estava como que a revelação de uma nova lei.
As "forças
invisíveis" que se manifestavam nas sessões de mesas falantes diziam que
eram as almas de homens que já haviam vivido na Terra. O Codificador
intrigava-se mais e mais. Num desses trabalhos, uma mensagem foi destinada
especificamente a ele. Um Espírito chamado Verdade disse-lhe que tinha uma
importante missão a desenvolver. Daria vida a uma nova doutrina filosófica,
científica e religiosa.
Kardec afirmou
que não se achava um homem digno de uma tarefa de tal envergadura, mas que
sendo o escolhido, tudo faria para desempenhar com sucesso as obrigações de que
fora incumbido.
Com suas
pesquisas, organizou e codificou a Doutrina Espírita. Seu verdadeiro nome era
Hippolyte Léon Denizard Rivail. Usava o pseudônimo de Allan Kardec, para evitar
que sua personalidade ficasse em evidência, pois era um educador conhecido e
tinha muitas obras publicadas nesse campo.
O Codificador
nasceu no dia 3 de outubro de 1804, na cidade de Lyon, na França, e desencarnou
em 31 de março de 1869, aos 65 anos de idade. Era casado com a professora
Amélie Gabrielle Boudet. Falava quatro idiomas, estudava astronomia e os
fenômenos ligados ao magnetismo. Foi discípulo de Pestalozzi, considerado o pai
da pedagogia moderna.

3.3 - A
CODIFICAÇÃO ESPÍRITA
a) O início
O
desenvolvimento da Codificação Espírita basicamente teve início na residência
da família Baudin, no ano de 1855. Na casa havia duas moças que eram médiuns.
Tratava-se de Julie e Caroline Baudin, de 14 e 16 anos, respectivamente.
Através da "cesta-pião", um mecanismo parecido com as mesas girantes,
Kardec fazia perguntas aos Espíritos desencarnados, que as respondiam por meio
da escrita mediúnica. À medida que as perguntas do professor iam sendo
respondidas, ele percebia que ali se desenhava o corpo de uma doutrina e se
preparou para publicar o que mais tarde se transformou na primeira obra da
Codificação Espírita.
Todo o trabalho
da revelação era revisado várias vezes, de modo a se evitar erros ou
interpretações dúbias. Na fase de revisão, o professor contou com a preciosa
ajuda de outra médium, que era sonâmbula, a srta. Japhet. Depois dela, o
Codificador ainda submeteu as questões a outros médiuns. Assim, o trabalho
contou com ajuda de pelo menos dez médiuns, nesta primeira fase.
A forma pela
qual os Espíritos se comunicavam no princípio era através da cesta-pião que
tinha um lápis em seu centro. As mãos das médiuns eram colocadas nas bordas, de
forma que os movimentos involuntários, provocados pelos Espíritos, produzissem
a escrita. Com o tempo, a cesta foi substituída pelas mãos dos médiuns, dando
origem à conhecida psicografia. Das consultas feitas aos Espíritos, nasceu
"O Livro dos Espíritos", lançado em 18 de abril de 1857,
descortinando para o mundo todo um horizonte de possibilidades no campo do conhecimento.
A partir daí,
Allan Kardec dedicou-se intensivamente ao trabalho de expansão e divulgação da
Boa Nova. Viajou 693 léguas, visitou vinte cidades e assistiu mais de 50
reuniões doutrinárias de Espiritismo.
Em janeiro de
1858, o Codificador abraçou uma nova atividade. Inaugurou a Revista Espírita,
um mensário cujo objetivo era o de informar os adeptos do Espiritismo sobre o
crescimento do movimento e debater questões ligadas à prática doutrinária.
Assim, teve início a imprensa espírita. A Revista foi editada por 12 anos.
Em abril de
1858, fundou a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, entidade que se
destinava a estudar, entender e explicar a fenomenologia espírita. Foi a
primeira sociedade espírita a constituir-se regular e legalmente, tendo exercido
grande influência moral entre os outros grupos, por ter sido a sociedade
iniciadora e central.
b) Obras da
Codificação
Para a
orientação dos seguidores do Espiritismo, Allan Kardec editou cinco livros
básicos, conhecidos como Pentateuco Kardequiano. São eles: O Livro dos
Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o
Inferno e A Gênese. Neles, reuniu os ensinamentos da Espiritualidade superior,
analisando-os e codificando-os, de forma a ficarem claros e interessantes.
O Livro dos
Espíritos (1857): 
É
uma obra de caráter filosófico, que procura explicar de forma racional o porquê
da vida. Divide-se em quatro tópicos: "As causas primárias";
"Mundo espírita ou dos Espíritos"; "As leis morais"; e
"Esperanças e consolações". É tido como a espinha dorsal do
Espiritismo, pois todas as outras obras partem de seus princípios.
O Livro dos
Médiuns (1861): 
Orienta
a conduta prática das pessoas que exercem a função de intermediar o mundo
espiritual com o material. Mostra aos médiuns os inconvenientes da mediunidade,
suas virtudes e os perigos provindos de uma faculdade descontrolada. Ensina a
forma de se obter contatos proveitosos e edificantes junto à Espiritualidade. A
obra demonstra ainda as conseqüências morais e filosóficas decorrentes das
relações entre o invisível e o visível.
O Evangelho
Segundo o Espiritismo (1864):
 Trata-se
da parte moral e religiosa da Doutrina Espírita. Ensina a teoria e a prática do
Cristianismo, através de comentários sobre as principais passagens da vida de Jesus,
feitos por Allan Kardec e pelos Espíritos superiores. Mostra que as parábolas
existentes no Evangelho, que aos olhos humanos parecem fantasias, na verdade
exprimem o mais profundo código de conduta moral de que se tem notícia.
O Céu e o
Inferno (1865):
 Neste
livro, através da evocação dos Espíritos, Allan Kardec apresenta a verdadeira
face do desejado "céu", do temido "inferno", como também do
chamado "purgatório". Põe fim às penas eternas, demonstrando que tudo
no Universo evolui e que as teorias sobre o sofrimento no fogo do inferno nada
mais são do que uma ilusão. Comunicações de Espíritos desencarnados, de cultura
e hábitos diversos, são analisadas e comentadas pelo Codificador, mostrando a
situação de felicidade, de arrependimento ou sofrimento dos que habitam o mundo
espiritual.
A Gênese
(1868): 
Este livro é
um estudo a respeito de como foi criado o mundo, como apareceram as criaturas e
como é o Universo em suas faces material e espiritual. É a parte científica da
Doutrina Espírita. Explica a Criação, colocando Ciência e Religião face a face.
A Gênesis
bíblica é estudada e vista como uma realidade científica, disfarçada por
alegorias e lendas. Os sete dias narrados nas Escrituras Sagradas são mostrados
como o tempo que o Criador teria gasto com a formação do Universo e da Terra;
eras geológicas, que seguem a ordem cronológica comprovada pela Ciência em suas
pesquisas.
Os
"milagres", realizados por Jesus, são explicados como sendo produto
da modificação dos elementos da natureza, sob a ação de sua poderosa
mediunidade.

3.4 - O TRÍPLICE
ASPECTO
Desde as
primeiras manifestações dos Espíritos superiores em torno da Codificação da
Doutrina, eles deixaram claro que o Espiritismo tinha em si três linhas de
ação: Ciência, Filosofia e Religião (moral).
É do espírito
Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, a afirmativa que esclarece
perfeitamente o significado tríplice do Consolador:
"Em
Espiritismo a Ciência indaga, a Filosofia conclui e o Evangelho ilumina".
a) Princípios
fundamentais da Doutrina Espírita
São considerados
princípios básicos da Doutrina Espírita: a crença em Deus como princípio
criativo; a existência do Espírito e sua sobrevivência após a morte; a
reencarnação; a lei de causa e efeito; a influência do mundo invisível sobre o
visível; a comunicação entre esses dois mundos e a evolução moral e intelectual
progressivas.
O Espiritismo em
suas práticas caracteriza-se pela realização do culto interior. Nele, o homem
procura conhecer-se e trabalhar para seu adiantamento moral e intelectual. Nada
há de exterior em seus costumes. Para os Espíritos superiores tudo depende do
pensamento, para o qual o fundo é tudo e a forma nada significa.
"Pelo
Espiritismo, o homem sabe de onde vem e para onde vai, porque sofre
temporariamente e vê por toda a parte a justiça de Deus. Sabe que a alma
progride sem cessar, através de uma série de existências sucessivas, até
atingir o grau de perfeição que pode aproximá-la de Deus" 
- (Allan Kardec - A Gênese, cap. I, item 30)