quinta-feira, 25 de outubro de 2012

1- EDUCAÇÃO E ESPIRITISMO A VIDA DE RIVAIL ( ALLAN KARDEC)

1- EDUCAÇÃO E ESPIRITISMO A VIDA DE RIVAIL ( ALLAN KARDEC):



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Amigo leitor, em postagem anterior de nossa autoria, encontraremos no fim do artigo, uma citação do venerando espirito Emanuel que diz:

“Os acontecimentos de uma época fazem parte do processo evolutivo para os valores intelectuais do homem, a caminho das conquistas definitivas de sua personalidade imortal para toda Eternidade” (1)

Diante de inúmeras pesquisas, sobre a História do Espiritismo, realizada por nós outros, deparamos na maioria das vezes, relatos apenas de como foi codificado a Doutrina dos Espíritos, ficando de forma desprivilegiada “o universal cultural”, em que a figura do missionário Allan Kardec fazia parte.

Queremos agradecer a escritora Dra. DORA INCONTRI, por autorizar ao blog História do Espiritismo, para que realizássemos um estudo de seus livros e artigos, para compilarmos esta série de postagem sobre Pestalozzi.

Para compreendermos melhor como se processou, a codificação da Doutrina dos Espíritos voltaremos na história, há mais de um século antes de sua conclusão, onde tentaremos remontar como foi à preparação realizada pela Espiritualidade para que o fim do século XIX recebesse o Consolador Prometido através da invasão organizada dos Espíritos Superiores, compilada por Allan Kardec.

José Herculano Pires, em seu livro “O espírito e o Tempo”, abordando sobre a falange do Consolador, ele relata fatos históricos interessantes onde narra as primeiras experiências do Mestre Rivail com as mesas girantes. Pedimos licença para transcrever uma anotação de Allan Kardec, que está no mesmo livro, onde ele diz:
"Foi nessas reuniões que comecei os meus estudos sérios de Espiritismo, menos por meio de revelações, do que de observações. Apliquei a essa nova ciência, como o fizera até então, o método experimental. Observava cuidadosamente, comparava, deduzia consequências; dos efeitos procurava remontar às causas, por dedução e pelo encadeamento lógico dos fatos, não admitindo por válida uma explicação, senão quando resolvia todas as dificuldades da questão”. (2)
Ao refletirmos sobre esse trecho que foi anotado por Allan Kardec convidamos aos leitores amigos para analisar conosco: - Onde Allan Kardec aprendeu esse critério de analise tão lógico, sensato, racional para dirimir quaisquer dúvidas que surgissem nos fenômenos ditos, comunicações além - tumulo? Como ele conseguiu realizar todo trabalho de investigação dos fenômenos mediúnicos evidenciando fatos verídicos e fatos incorretos? Qual seria a bagagem intelectual que Allan Kardec recebeu para estar apto para tal trabalho?
Recorremos à pergunta 576 do Livro dos Espíritos onde Allan Kardec interroga os espíritos superiores:
Pergunta – Os homens que têm uma missão importante estão predestinados a ela antes de seu nascimento e tem consciência disso?
Resposta dada pelos espíritos foi: “Às vezes, sim, mas, na maior parte das vezes, o ignoram. Ao virem à terra, tem um vago sentimento a respeito; após o nascimento sua missão se desenvolve gradualmente, e de acordo com as circunstâncias. Deus os impulsiona no caminho em que devem cumprir os seus desígnios” (3)
Para exemplificarmos essa resposta, resolvemos citar um fato interessante, ocorrido na vida de Allan Kardec, quando ele ainda tinha duvidava sobre sua missão.
“(...) Em 12 de junho de 1856, os espíritos enviam uma comunicação direcionada a Rivail falando de seu compromisso, de sua responsabilidade, e que ele fora escolhido com a missão de ser o compilador encarnado do trabalho do Consolador Prometido. A princípio ele não tinha aceitado ainda esta tarefa como característica de uma missão pessoal e resolveu questionar o Espirito de Verdade, qual o seu compromisso diante de todo esse trabalho que se iniciava. Porém apenas em 1867, que a mensagem foi comentada, onde Allan Kardec comprova todas as previsões feitas pelo espírito comunicante (...)”.
Na comunicação o Espírito comunicante deixa claro, que Rivail tinha o livre arbítrio para assumir a missão ou não, em caso de desistência ou de falha no trabalho, outro espirito encarnado estaria pronto para assumir e substituí-lo, como prova de incentivo ao assumir o trabalho, os espíritos superiores se comprometeram a dar-lhe toda assistência necessária, para que seu trabalho fosse logrado com êxito, mas o advertiu que a tarefa seria árdua e difícil, não apenas no campo da publicação dos livros, mas que a mensagem trazida do Alto pela invasão organizada, iria fazer com que o codificador encontrasse muitos percalços e inimigos, e apenas a humidade e fé em Deus iria ajudar no êxito de sua missão (...) – (4)
Esta comunicação esta disponível para os meus amigos leitores, no Livro “Obras Póstumas”, Minha iniciação no Espiritismo: Minha missão.
No livro, “Nova Historia do Espiritismo”, o autor Dalmo Duque dos Santos, no capítulo intitulado “O investigador”, ele analisa pontos importantes da missão de Allan Kardec na codificação da doutrina dos Espíritos.
Pedimos licença para transcrever dois parágrafos que deixa evidenciado a importância da herança pedagógica na vida de Rivail / Allan Kardec:
(“...)” A missão de Allan Kardec, foi, essencialmente, um trabalho de comunicação, no aspecto técnico-científico, e muito acentuadamente no aspecto ideológico. Nos seus escritos encontramos sempre a preocupação com o formato da informação, a ser transmitida, com a linguagem, com a mídia a ser utilizada, com o publico alvo, bem como as repercussões e retorno dessas informações, das quais se autodenominava não um autor, mas um portador e membro de uma equipe.
No aspecto técnico percebe-se, claramente, não só sua habilidade de comunicador, herdada da Pedagogia, mostrando sempre um impecável ordenamento na organização e distribuição didática dos temas, mas também a sagacidade de um investigador a desvendar os paradigmas de uma nova ciência, cuja base filosófica, de consequências morais, deve ser informada de maneira adequada para a cética sociedade do seu tempo, e do futuro, aqui aparece seu aspecto ideológico” (5).
Em estudos minuciosos na obra Nova Historia do Espiritismo, o autor comenta na pagina 47 em diante, sobre o contexto político que a França do inicio do século XIX vivia, sobre o julgo de Napoleão Bonaparte aliada com a Igreja católica, trazendo um grande poder de dominação e retaliação no sistema educacional.
As famílias com ideais de liberdade absoluta, que tinham frescas em suas mentes as ideias de Voltaire, e que vislumbrava uma boa educação, enviava seus filhos para estudarem nos países vizinhos. No caso de Rivail sua família optou a envia-lo para Yverdon na Suíça sob a direção de J. H Pestalozzi.
(...) Mas a transferência do menino Rivail para Yverdon não foi um simples capricho de uma família burguesa, e sim uma necessidade ideológica
O pai de Rivail era maçom e a França estava agora sob o regime da intolerância da Concordata entre Bonaparte e Pio VII.
Após a revolução o clero se reerguera com todo fanatismo e sede de vingança contra o liberalismo. Todo o sistema educacional caíra nas mãos dos jesuítas. O ensino foi totalmente modificado; banindo-se do currículo disciplinas essenciais para a boa formação humanista, como o grego, a história, ciências morais e políticas
Comentaremos um pouco sobre o instituto educacional que Rivail frequentou:
(...) O famoso instituto, estruturado nas ideias do seu famoso diretor, teve influência marcante na formação intelectual e moral do jovem estudante Rivail.
Trabalho, solidariedade e tolerância não eram somente conceitos filosóficos de uso intelectual, mas princípios da prática educativa cotidiana (...).
(...) Rivail desenvolveu ali ainda mais sua habilidade para aprender novos idiomas, fator de grande enriquecimento da sua erudição e visão universalista que lhe seria muito útil na difusão do espiritismo, em outras culturas.
(...) Essa vocação para lidar com a diversidade cultural, numa época de nacionalismos radicais e exclusivistas, seria exercida com brilhantismo na Revista Espírita (6)
Referência bibliográfica
(1) – Consolador, OEmmanuel (Espírito), Xavier, Francisco Cândido(autor), Ed FEB
(2) - Espírito e o Tempo, OPires, José Herculano (autor), Editora Paideia.
(3) - Livro dos Espíritos, O Kardec, Allan (autor) Pires, José Herculano(tradutor), Ed. Lake
(4) Obras Póstumas Kardec, Allan (autor), Ribeiro, Guillon (tradutor), Ed. FEB
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