quinta-feira, 11 de outubro de 2012

CAPÍTULO 06 - IDENTIDADE CÓSMICA.

CAPÍTULO 06 - IDENTIDADE CÓSMICA.:

"E
aqui está o segundo que é semelhante ao primeiro: amarás o teu próximo, como a
ti mesmo."

O
Evangelho Segundo o Espiritismo - capítulo XV - ítem 4.

Chamamos
de atitude amorosa o tratamento benevolente com nosso íntimo através da criação
de um relacionamento pacífico com as imperfeições. Desenvolver habilidades benevolentes
para consigo é a base da vida saudável e o ponto de partida para o crescimento
em harmonia.
Amar a si
mesmo é o cerne da proposta educativa do Ser na fieira das reencarnações.
O aprendizado
do auto-amor tem como requisito essencial a descoberta de nossa "identidade
cósmica", ou seja, a realidade do que somos na Obra Incomensurável do Pai,
nossa singularidade. A singularidade é a "Marca de Deus" que define
nossa história real no trajeto da evolução. É como o Pai nos
"conclama" ser na Sua Criação.
Importante
frisar que a singularidade é o conjunto de caracteres morais e espirituais peculiares
à criatura única que somos. Nela se incluem também as mazelas cujos princípios
foram colocados no homem para o bem, conforme acentuam os Sábios e Orientadores
da codificação. (O Evangelho Segundo o Espiritismo - capítulo X - ítem
10)
Quando
rejeitamos alguns aspectos dessa "identidade exclusiva", nasce o
conflito, que é a tormenta interior da alma convocada a transformar para melhor
sua condição individual.
O Doutor
Carl Gustav Jung definiu esse movimento da vida mental como sendo individuação,
isto é, viver em busca da individualidade, do Si Mesmo. Não se trata de viver o
individualismo, o personalismo, mas aprender a ser, permitindo a expressão de
suas características divinas latentes e de sua sombra sem as máscaras sociais.
Individuação vem do latim individuos cujo sentido é "indiviso",
"inteiro".
O
progresso pessoal de cada um de nós é a arte de saber integrar os
"fragmentos" da vida íntima, harmonizando-os para que reflitam as
leis naturais de cooperação, trabalho e liberdade.
Somente
vibrando na freqüência do amor, esse movimento educativo da alma plenifica-se sem
a angústia e o martírio - patrocinadores de longas e dolorosas crises nesse caminhar
evolutivo.
A
convivência compassiva com nossa sombra só será possível
com
aceitação de nossa "identidade cósmica". Aceitar os nossos
sentimentos, desejos, ações, impulsos e pensamentos. Aceitar é entrar em
contato sem reprimir. Criar uma conexão sem julgamento e condenação. A
aceitação não significa acomodação ou adesão
passiva,
mas entender, investigar e redirecionar esse patrimônio sem rigidez e desamor.
É cuidar bem de si mesmo com ternura e respeito ao patrimônio adquirido, incluindo
os maus pendores. Aceitação é a maneira carinhosa de tratar nossa intimidade,
sem rivalidade.
Aceitar-se
é confundido com passividade, irresponsabilidade. O conceito é exatamente o
inverso, pois quando eu aceito as coisas como são, resgato minha força e poder transformador.
Se nós
não nos aceitamos, magoamos a nós mesmos, por isso o auto-amor é também autoperdão.
Perdoar é ter uma atitude de compaixão que nos distancie dos julgamentos e críticas
severas e inflexíveis.
O remédio
será aprender a amar a vida que temos, o que somos, o que detemos e viver um
dia após o outro, cultivando na intimidade a certeza de que o percurso que fizemos
deve ser visto como o melhor e mais proveitoso às necessidades que carregamos.
É a nossa "marca personalizada" na Obra da Criação pela qual devemos responder
com siso
moral.
Certamente
as Leis Divinas, a todo instante, conspiram para que afinemos essa singularidade
com a "Freqüência de Deus", sempre elevando-nos e progredindo. A proposta
do auto-amor, impele-nos, sobretudo, a conhecer nosso ritmo evolutivo, nossa capacidade
pessoal de ajustarmo-nos a essa melodia universal.
Ninguém
consegue ultrapassar seus limites pessoais de uma para outra hora. A palavra
limite quer dizer o "ponto máximo". Em termos espirituais, só daremos
conta daquilo que podemos. Nem mais nem menos. O martírio representa alguém
querendo dar além do que consegue, idealizando caminhos, cobrando d si o
impossível. Uma
Postura de
inaceitação de sua condição íntima, gerando insatisfações e desequilíbrios.
Quando
não amamos a nós mesmos, vivemos à mercê da influência dos palpites e repremendas.
A aprovação alheia é mais importante que a aprovação interior. Nessa situação escasseiam
estima e confiança a si próprio, que impossibilitam a expressão da condição
particular. Assim sentimo-nos prisioneiros adotando máscaras com as quais procuramos
evitar a rejeição social, fazendo-nos infelizes e revoltados.
Ninguém
pode definir para nós "o quanto ou o como deveríamos". Podemos ouvir opiniões
e conselhos, corretivos e advertências, porém, o exercício do auto-amor nos ensinará
a tirar de cada situação aquilo que, de fato, nos será útil ao crescimento.
Cada
pessoa ou
situação de nossas vidas é como o cinzel que auxiliará a esculpir a obra
incomparável da ascenção particular. Mas recordemos: apenas um cinzel!
Apenas
instrumentos! Pois a tarefa intransferível de talhar é com cada um de nós, escultores
da individuação.
Quem se
ama, imuniza-se contra as mágoas, guarda serenidade perante acusações, desapega-se
da exterioridade como condição para o bem-estar, foca as soluções e valores, cultiva
indulgências com o semelhante, tem prazer de viver e colabora espontaneamente
com o bem de todos e de tudo.
Por longo
tempo ainda exercitaremos esse amor a nós mesmos, alfabetizando nossas habilidades
emocionais para um relacionamento intrapessoal fraterno, equilibrado.
A
primeira condição para nos enganjarmos na Lei do Amor é essa caridade conosco,
o encontro do self divino, sem o qual ficaremos desnorteados no labirinto das experiências
diárias, à mercê de pessoas e fatos, adiando o Instante Celeste de sintonizar
nossos
passos com a paz interior
que todos, afanosamente, estamos perseguindo.

ESCUTANDO SENTIMENTOS
A ATITUDE DE AMAR-NOS COMO MERECEMOS
WANDERLEY S. DE OLIVEIRA
Pelo Espírito ERMANCE DUFAUX